quinta-feira, 9 de maio de 2013

Fracasso de bilheteria: O Portal do Paraíso

O Portal do Paraíso

Com um custo de 44 milhões de dólares, o filme "O Portal do Paraíso" (Heaven's Gate) rendeu um faturamento de apenas 93 mil dólares nos Estados Unidos e de 1,5 milhão no resto do mundo, mesmo contando com nomes de peso como o de John Hurt, Isabelle Hupert, uma das musas do cinema francês, Christopher Walken e o diretor Michael Cimino, que havia conquistado o Oscar recentemente com “O Franco Atirador”.

A história girava em torno de um relato fictício do "Massacre de Johnson County", quando centenas de imigrantes europeus foram dizimados pelos poderosos latifundiários de Wyoming no final do século XIX. Com a proposta de revitalizar o gênero western, a película revisitou o episódio através da ótica de James Averill, um homem amargurado que disputa o amor de uma prostituta com um violento pistoleiro a mando dos fazendeiros.

Os problemas tiveram início já no período da pré-da produção. Levado ao extremo perfeccionismo, o diretor achou que as casas cinematográficas ficavam muito próximas e mandou reconstruir o cenário. No mais, pessoas eram demitidas a todo momento e, durante a pós-produção, o filme sofreu várias remontagens, chegando a perder 101 minutos de sua metragem original. Com tantos contratempos e meses de atraso, o custo da produção saltou de 2 milhões de dólares para 44 milhões (quase 200 milhões em valores atuais).

Bastante pressionada por diversos segmentos da sociedade americana e pela crítica especializada, a produtora acaba retirando o filme de cartaz após algumas sessões praticamente vazias. O longa quase levou o lendário estúdio United Artists, fundado em 1919 por um grupo notável que incluía D.W.Griffith, Mary Pickford, Charles Chaplin e, do introdutor do Óscar, Douglas Fairbanks, à falência.

Depois desse episódio, a então proprietária da UA, o grupo de mídia TransAmerica, acabou vendendo a empresa à Metro-Goldwyn-Mayer (MGM). Longe dos tempos áureos, a United Artists viveu os anos seguintes praticamente no ostracismo, sendo apenas uma memória na história de Hollywood. Até o ano de  2004, quando um consórcio formado pela Sony, proprietária da Columbia Pictures e Tristar Pictures, adquiriu todo o grupo e transformou a United Artists numa subsidiária de fundamental importância.

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