segunda-feira, 6 de maio de 2013

Um sonho destruído


Considerado o carro dos sonhos dos estadunidenses no período “pós-guerra”, o Tucker Torpedo ficou famoso por incorporar uma série de inovações como: motor traseiro adaptado de um helicóptero, baixo centro de gravidade, interior acolchoado (para prevenir ferimentos em caso de acidente) e um farol central, sincronizado ao volante. Em caso de problema técnico, o motor era trocado em espantosos 15 minutos.

O projeto nasceu com o fim da Segunda Guerra Mundial, quando o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, vetou a venda das grandes fábricas bélicas para GM, Ford e Chrysler. O político queria que essas instalações fossem adquiridas por novos empreendedores, evitando assim a formação de monopólio na indústria automobilística.

Em razão disso, Preston Tucker candidatou-se à compra de uma fábrica de aviões em Cícero, Illinois. A fábrica, que havia sido construída pela Chrysler, estava a disposição de eventuais compradores – exceto pela própria montadora.

A estrutura seria dele, desde que levantasse US$ 15 milhões até março de 1947. O restante da dívida seria pago em prestações de US$ 250 mil ao governo dos Estados Unidos. Rapidamente, Tucker passou a levantar o dinheiro com a venda de franquias de futuras revendas e ações da empresa na Bolsa de Valores.

Entretanto, três homens poderosos passaram a trabalhar contra o sonho de Tucker: – o promotor de justiça de Illinois, Otto Kerner Jr, o colunista Drew Pearson, que passou a “bombardear” Tucker em seus artigos, e o politico Homer Fergunson, cujo genro dirigia uma das divisões da Chrysler.

Depois de uma investigação realizada por Thomas B. Hart, chefe da Comissão de Caução e Valores de Chicago, concluir que o artifício utilizadoera ilegal, o escritório de Tucker foi vasculhado pelo Imposto de Renda. Em 1948, todas as informações recolhidas, que deveriam ser sigilosas, vazaram para a imprensa na coluna de Dreaw Pearson. Nesse dia, as ações da empresa caíram de cinco para dois dólares.

Fumante inveterado, Tucker estava bastante debilitado em função de um câncer. Em sua última viagem ao Brasil, nada de negócios. Desenganado pelos médicos, buscava a cura através de formulas naturais. Infelizmente, o tratamento não funcionou e, em 1956, Tucker morreu e o projeto do carro brasileiro foi arquivado.

Sua história, porém, nunca será esquecida. Inclusive, no final dos anos oitenta, Francis Ford Coppola transformou sua vida em um longa metragem , chamado “Tucker, um homem e seu sonho”. Segundo colecionadores, apenas 50 exemplares foram produzidos. Desses, apenas dois estão fora dos Estados Unidos. Um está no Japão e o outro, curiosamente, encontra-se na cidade de Caçapava, no Brasil.

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