segunda-feira, 6 de maio de 2013

A história por trás do mito


Filho de imigrantes, John Zachary De Lorean ainda trabalhava como operário na Ford quando se formou engenheiro mecânico. Assim, se credenciou para assumir a chefia do departamento de pesquisas e desenvolvimentos da Packard, onde permaneceu por 27 anos.

Posteriormente procurou novos horizontes profissionais na GM, onde assumiu a diretoria de engenharia da Pontiac, uma divisão considerada deficitária. Com ambição e criatividade, no entanto, consegue tirar a empresa do buraco. Uma de suas criações, o legendário GTO, lançado em 1963, vendeu mais de 30.000 unidades em apenas 11 meses.

Levado pelo sucesso, em 1969, assume a gerência geral da Chevrolet, que não passava por um bom momento. Com um trabalho desenvolvido junto aos revendedores e projetistas, criou o Vega, para combater o Ford Pinto e o Gremlin, da American Motors. O carro não fez o sucesso esperado, mas abriu as portas de um novo segmento para a GM.

Com a incrível marca de 3 milhões de unidades vendidas, em 1971, foi indicado para o cargo de diretor de operações da GM nos Estados Unidos. Segundo prognósticos da mídia especializada, chegaria a presidente da companhia em dois anos, com a aposentadoria de Edmund Cole.

Nesse período, apresenta o DMC-12 para a diretoria da GM, que recusa a ideia. Vaidoso, renuncia ao cargo, deixando para trás um salário de 650.000 dólares anuais para investir no próprio projeto. Em 1975 consegue todo o dinheiro necessário para colocar a ideia em prática. Centenas de revendedores se comprometeram em revender o carro, pagando antecipadamente por eles. Inclusive, três sheiks árabes encomendam uma série especial do carro, com a parte externa banhada a ouro.

Depois de um acordo com o governo britânico, instalou sua fábrica na Irlanda do Norte. O primeiro De Lorean deixou a linha de produção em 1981, desenhado por Giorgeto Giugiaro e desenvolvido por Colin Chapman, o mago da Lotus.

O chassi, construído em fibra de vidro e espuma de uretano saturado de resina, era envolvido por uma carroceria de aço inoxidável. As portas, no formato “asas de gaivota”, davam um ar futurista ao carro. Internamente, o De Lorean contava com bancos de couro, instrumentação completa e amplo espaço para duas pessoas. Debaixo do capô, um V6 híbrido de 145 cv dotado de injeção eletrônica.

Com tantos predicados, o preço do carro extrapolou, tornando-se mais caro que seus concorrentes diretos. O governo britânico havia gastado 156 milhões de dólares no projeto, e o executivo pedia mais dinheiro.

Londres recusou e  no começo de 1982  a empresa entrou em processo de concordata. O empresário, desesperado, tenta reverter a situação, dispondo-se a financiar um carregamento de quase 200 quilos de cocaína, que lhe renderiam pelo menos 50 milhões de dólares.

O sonho de John De Lorean foi enterrado quando o FBI encontrou a droga dentro de seus carros no porto de Miami. O governo britânico fechou a fábrica, ao passo que agentes federais leram a De Lorean os seus direitos constitucionais. De um apartamento do Sheraton Plaza, levavam-no para a Casa de Vidro, uma prisão de Los Angeles.

Foi liberado horas depois, por falta de provas. Infelizmente, De Lorean acabou por sujar o nome dos seus sócios, entre eles Colin Chapman. O famoso construtor inglês torna-se alvo de investigações da policia inglesa, suspeito de apropriar-se de parte do dinheiro. Ainda naquele ano, morre subitamente, vítima de um ataque cardíaco.

Sua morte é cercada de grande mistério, já que não houve velório. Muitos suspeitam de que tudo foi armado para que Chapman fugisse para o Brasil. Tempos depois, a prisão de seus sucessores na Lotus é decretada pela justiça inglesa. O carro participou do filme “De Volta Para o Futuro”, de Steven Spielberg, ganhando definitivamente o “status” de mito.

De Lorean morreu em 2005, em razão de complicações decorridas de um ataque cardíaco.

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