domingo, 5 de maio de 2013

Louise Brooks




Os anos de 1920 ferviam em jazz e a vida noturna se tornava cada vez mais emocionante para ambos os sexos. Nesse período, a mulher passa a buscar um novo papel na sociedade, se emancipando cada vez mais em ideias, estilos de vida, filosofias e modos de vestir. Na vanguarda desse processo, a atriz Louise Brooks surge como símbolo de uma era de mais liberdade.
 
E hoje, podemos confirmá-la como uma das personagens mais fascinantes de todos os tempos, com seu visual de cabelo curto e franja caindo sob os olhos. Um inegável talento dramático que ficou historicamente ofuscado pelo magnetismo de sua figura. Com doses iguais de inocência e sensualidade, passou a provocar um efeito quase que hipnótico sobre as pessoas.

Desprezava Hollywood, assim como os principais estúdios cinema. Chegou a abandonar a produção de um filme simplesmente para ficar com um amante. Teve casos amplamente divulgados na imprensa com Charles Chaplin e o produtor Walter Wanger. Ela própria admitiu ter passado uma tórrida noite de amor com Greta Garbo, enfatizando: “Ela era completamente masculina, o que torna seus filmes ainda mais maravilhosos”.

Essa combinação explosiva de coragem e intenso apelo sexual ficou explícita na composição do cartaz do filme “ Vênus Americana”, quando a atriz não se intimidou em ficar nua da cintura pra cima, com apenas duas faixas estreitas cobrindo os seios.

Desenvolveu seu maior papel no cinema como a bailarina Lulu em "A Caixa de Pandora", de G.W. Pabst. Considerado o canto do cisne do cinema mudo alemão, o filme mostra o poder destruidor de sua sedutora personagem, conduzindo impassivelmente os homens que dela se aproximam à morte. Contendo cenas de lesbianismo e sadismo sexual, a produção continha tudo o que a censura do Terceiro Reich viria a proibir.

Impossível protagonista mais identificada para um papel, em um personagem projetado inicialmente para a alemã "Marlene Dietrich". Assim como na mitologia grega, Brooks parecia ter descido à terra portando uma caixa contendo todas as desordens do mundo. Representava basicamente a incarnação contemporânea da "Pandora" original.

Tantos atributos, porém, culminaram numa vida de autodestruição. Aos 24 anos, sua carreira caiu em desgraça após esnobar um convite da poderosa "Paramount". Se envolveu ainda em algumas produções europeias, que fracassaram no mercado norte-americano. 

Depois de deixar a carreira de atriz, foi trabalhar como vendedora de loja. Viveu o resto de sua vida com ajuda de custo mensal de um antigo relacionamento da juventude. Escrevia e pintava para passar o tempo, e ocasionalmente dava palestras. 

Em seus últimos anos, sofria de artrite deformante e viveu de forma reclusa. Faleceu no dia 8 de agosto de 1985, aos 87 anos de idade. Deixou como legado a magia de sua imagem em sépia, que provoca ainda nos dia de hoje o fascínio nas pessoas, sem que elas saibam, muitas vezes, de quem se trata.  

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