segunda-feira, 24 de junho de 2013

Cabeça de cavalo


A Máfia teve papel fundamental na ascensão artística de Frank Sinatra. Logo no início de carreira, o astro recorreu à organização criminosa para se livrar das obrigações de um contrato bem amarrado com a orquestra de Tommy Dorsey, que lhe impedia de seguir em carreira solo. O primeiro "capo" do cantor, Willie Moretti, resolveu a situação depois de colocar uma pistola na boca do músico, que reincidiu o acordo por módico US$ 1.

Outra amizade no meio garantiu a Sinatra um papel importante em “A Um Passo da Eternidade” (From Here to Eternity / 1953). Na época, o cantor vivia um péssimo momento e as vendas dos seus discos despencavam. Seu desespero aumentou quando a produção do filme lhe recusou o personagem do soldado Angelo Maggio.

Sem outra alternativa, Sinatra buscou a ajuda do chefão Sam Gincana, que usou seu poder de persuasão para mudar o elenco da trama. Começou pelo ator Eli Wallach, que desistiu de interpretar Maggio para estrelar uma peça na Broadway. Depois, convenceu o diretor Fred Zinnemann a reconsiderar sobre Sinatra, que acabou faturando o Oscar de melhor ator coadjuvante. 

Esses dois episódios teriam inspirado o escritor Mario Puzo a criar o personagem de Johnny Fontane, o cantor protegido por mafiosos de “O Poderoso Chefão”. Logo no início do livro, Fontane recorreu à ajuda de Corleone após ser recusado pela banda de "Les Halley", o "Dorsey" da vida real. O "padrinho" mandou seus homens atrás do maestro e tudo foi resolvido com uma ameaça de morte.

Depois, em sua única participação significativa na trilogia, o cantor pede para que Don Vito Corleone lhe consiga um papel em Hollywood, se dizendo perseguido pelo produtor Jack Woltz. O chefão atende o pedido e envia seu consigliere, Tom Hagen, para a Califórnia, com o objetivo de negociar a participação de Fontane no filme. Após se recusar, Woltz acorda pela manhã seguinte com a cabeça decepada do seu valioso cavalo Khartum na cama.

Na vida real, Frank Sinatra seguiu obtendo facilidades em suas conexões com o submundo do crime, se tornando sócio de cassinos, boates e de outros estabelecimentos. Chegou a investir em Cuba, quando o regime de Fulgêncio Batista fazia vistas grossas às práticas das organizações criminosas, que almejavam transformar a ilha na maior central de jogos do mundo.

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