domingo, 21 de julho de 2013

Béla


Originado no famoso livro de Bram Stocker e produzido pela Universal Studios, Drácula (Dracula / 1931) conseguiu se transformar em um dos maiores clássicos de terror da história sem precisar se valer, acredite, dos dentes afiados, de violência ou sangue.

Tal resultado foi obtido graças a cuidadosa direção de Tod Browning e do poder de sedução do húngaro Béla Lugosi, que nessa época não falava uma palavra em inglês. Para conseguir o papel, o ator teve de decorar suas falas foneticamente, o que resultou em um sotaque charmoso e bastante peculiar. No mais, usou e abusou do seu olhar fixo penetrante para compor o personagem. 

Quando retratou o início da trajetória de "Ed Wood" (Ed Wood / 1994) no cinema, o diretor Tim Burton mostrou, em paralelo, os últimos dias de um decadente Lugosi, que rendeu ao seu intérprete, o veterano Martin Landau, o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. No filme, via-se um Lugosi pobre, dependente de drogas e bastante agressivo quando ouvia falar do "Frankenstein" de Boris Karloff. Durante uma cena em que lutava com um polvo cenográfico, tomou uns goles de Whisky e admitiu que havia recusado o papel do monstro por opção pessoal.

Completamente esquecido, resolveu participar de filmes de qualidade duvidosa do diretor Ed Wood na esperança de retomar seus melhores dias no cinema. Costumava ligar para ele durante as madrugadas procurando ajuda depois de se drogar com morfina. Muitos garantem que este vício teve início durante a Primeira Guerra Mundial, quando Lugosi foi ferido gravemente durante uma batalha. 

Chegou a ser internado para superar o vício, mas teve de deixar a clínica por não contar com o auxílio doença do governo. Morreu logo após esse episódio e foi enterrado trajado de Drácula, por sugestão de uma de suas ex-esposas e de seu filho Béla Lugosi Jr.

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