quarta-feira, 29 de maio de 2013

Uma estranha conexão

Dennis Wilson

Há alguns dias, falamos aqui no blog sobre o filme "Corrida sem Fim", que contou com a participação exclusiva de Dennis Wilson. Mais conhecido como fundador e baterista dos "Beach Boys", era o único da banda que realmente surfava. Foi ele, inclusive, que incentivou seu irmão, o vocalista Brian Wilson, a compor músicas sobre praias e garotas.

Mesmo sendo considerado o membro mais rebelde do grupo, Dennis era tido como o coração da banda, um artista bastante versátil, que também escrevia e ainda se aventurava entre o piano e os microfones nos shows. Durante uma festa, compôs com Billy Preston o clássico "You Are so Beautiful", eternizado na voz de Joe Cocker.

Sua carreira ficou marcada, no entanto, por uma estranha conexão com um assassino em série. Essa passagem teve início meio que por acaso, depois que Dennis deu carona para duas garotas desconhecidas. Após a sessão de gravação de um trabalho, que se encerrou as 3 da madrugada, ficou surpreso ao reencontrá-las no interior de sua residência, acompanhadas de um homem barbudo e uma dezena de pessoas.

Tratava-se da "Família Manson" e seu líder, um lunático chamado Charles Manson. O baterista chegou a se afeiçoar ao grupo, e ainda tentou ajudar na carreira artística de Manson, lhe apresentando a pessoas importantes do ramo fonográfico. Ainda convenceu seus parceiros do Beach Boys a gravarem uma das composições de Manson no álbum "20/20", o que maculou para sempre a imagem da banda.

Ele não sabia que estava diante de um bárbaro e psicopata, que entraria para a história como um dos maiores assassinos em série dos Estados Unidos. Filho indesejado de uma prostituta, Manson passou a infância e a adolescência morando em bordéis com sua mãe. E depois que ela foi presa por assalto a mão armada, morou uns tempos com um tio, que o vestia de menina.

Não demorou e o adolescente problemático entrou para o mundo do crime, praticando roubos, estupros de homossexuais e fraudes de diversos tipos. Depois de cumprir pena, se mudou para São Francisco durante os anos 1960, onde se deu início ao culto à sua imagem.

Formada em sua maioria por mulheres, a "Família Manson" se estabeleceu em uma fazenda, onde passou a ser preparada por seu mentor para uma "batalha". Completamente fora de si, Manson acreditava ter ouvido na música "Helter Skelter", dos Beatles, profecias apocalípticas de uma guerra racial. 

As coisas fugiram completamente do controle em 1969, quando dois de seus seguidores assassinam um produtor de discos. Em seguida, o próprio Manson, acompanhado de um grupo de neuróticos, invadiu a casa do cineasta polonês Roman Polanski, onde se iniciaria a "tal" batalha.

A atriz Sharon Tate, mulher do cineasta, grávida de oito meses, pagou com a própria vida. Mais tarde, um casal também foi assassinado. Foram cinco assassinatos num mesmo dia. Manson e mais dez de seus fiéis foram responsabilizados e condenados à prisão perpétua pelas mortes. 

Quando os crimes aconteceram, Dennis já não tinha qualquer relação com os bandidos. Ele havia rompido com o grupo antes das ondas de assassinatos, sem sequer brigar pela posse de sua casa.

Vale lembrar que o baterista se suicidou aos 39 anos, em 1982, afogado nas águas de Marina Del Rey, local onde ficava atracado o seu barco, que funcionava também como residência. Wilson passava por uma forte crise de depressão, sem conseguir superar seus problemas financeiros e amorosos. 

Anos mais tarde, Manson mostrou sua amargura com o músico durante uma entrevista na prisão  "Dennis Wilson foi assassinado pela minha sombra, porque ele tomou a minha música e não me pagou. Além disso, mudou a letra da minha canção".

Após encontrado, as autoridades devolveram o corpo de Dennis Wilson ao mar, que ele tanto amava, atendendo um pedido da família.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Um morto muito louco

Assim como Charles Chaplin, o ator Elmer Grandin, que atuou no cinema da década de 20 e morreu em 1933, também teve seu cadáver furtado. Dois adolescentes profanaram o morto e o levaram para uma festa vestido de Darth Vader. Eles foram denunciados à policia por um professor, que ouviu a conversa dos dois durante a aula. A polícia seguiu as pistas e encontrou os restos mortais despejados numa estrada.

O corpo foi devolvido a sua tumba em um cemitério de Nova York no mesmo dia.

O mistério do roubo do corpo de Charles Chaplin

Keystone/Getty Images

Ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico. São múltiplas as facetas de Charles Chaplin, um dos personagens mais famosos da era do cinema mudo, notabilizado por utilizar com genialidade os recursos de mimicas e expressão corporal.

Já um habitué desse espaço, Chaplin esteve envolvido em diversas situações bastante peculiares. Inclusive depois de sua morte, quando, em março de 1979, teve seu corpo roubado do pequeno cemitério de Corsier Sur Vevey, localizado a 20 quilômetros de Lausanne, na Suíça.

Segundo a polícia, o caixão foi retirado por desconhecidos na calada da noite e levado por uma caminhonete, que deixou marcas perto do túmulo. A tumba nunca tinha sido submetida a uma vigilância  pois o cemitério era de difícil acesso e dificilmente se transformaria em um local de peregrinação.

O caixão de carvalho, de quase 150 quilos, foi recuperado dois meses e meio depois em um milharal localizado no extremo oriental do lago Genebra, próximo de onde Chaplin passou os últimos 25 anos de sua vida. A polícia prendeu dois mecânicos acusados do crime: um polonês e um búlgaro, cujas identidades são desconhecidas.

Eles foram presos depois de ligarem para a família exigindo um resgate em troca da devolução dos restos do ator, sem imaginarem que a polícia controlava as chamadas. Durante as investigações foram descartadas ainda uma série de telefonemas anônimos contendo pistas falsas. 

Nos meios de comunicação, surgiram inúmeras teorias para tentar explicar o ocorrido. Uma delas dizia que o corpo de Chaplin tinha sido roubado por um grupo de fanáticos, que pretendia enterrá-lo na Inglaterra, terra natal do comediante. Outra dizia que os ladroes se opunham ao sepultamento do ator em um cemitério cristão, tendo este nascido judeu. Mas os investigadores logo desmentiram essa hipótese.

O corpo foi sepultado novamente na mesma cova da qual tinha sido roubado, mas com um tumulo mais seguro para impedir um novo sequestro. A viúva Oona O'Neill, já falecida, ordenou na época a construção de um túmulo bem solido, com um tampão de concreto de 1,80 metro de espessura.

Algumas imagens a mais: Solução barata

Mesmo em um filme orçado em US$ 115 milhões, algumas soluções simples podem funcionar de maneira bastante prática.

Em "Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma" (Star Wars Episode I: The Phantom Menace), por exemplo, o comunicador usado por Qui-Gon Jinn nada mais era que uma Gillete feminina disfarçada pela produção.

A Casa do Espanto

Mansão LaLaurie

Há alguns anos, o ator Nicolas Cage foi dono de uma Mansão em Nova Orleans, que muitos acreditam ser mal assombrada. A propriedade pertenceu à Madame Delphine LaLaurie, uma socialite abastada, que promovia festas glamourosas no local, com listas de convidados constituídas pelas pessoas mais importantes da cidade

Embora ocupasse uma posição de destaque nos círculos sociais, a maneira pela qual Delphine LaLaurie torturava seus escravos ficou mais conhecida como um conto macabro, lhe tornando uma das pessoas mais diabólicas de todos os tempos.

Esse histórico de sadismo e assassinatos só veio à tona quando, em 1834, um incêndio foi deflagrado na mansão durante uma festa. Enquanto as pessoas tentavam apagar o fogo e salvar os escravos da senzala, a dona da casa aproveitou para fugir.

Logo que entraram na cozinha, encontraram dois escravos acorrentados ao fogão pelo pescoço. Provavelmente, eram os autores do incêndio. Com a intervenção dos bombeiros, foram descobertas na senzala inúmeras pessoas mutiladas e torturadas.

Algumas aparentemente usadas em experiências médicas, com seus sexos trocados, bocas costuradas, os olhos arrancados, e as orelhas penduradas por pedaços. Outros tiveram os intestinos retirados e atados ao redor da cintura. Um deles estava com um buraco no crânio, onde um pedaço de pau tinha sido inserido diretamente no cérebro.

Ela até executou uma cirurgia bizarra para transformar um dos escravos em caranguejo, quebrando e dobrando seus membros em ângulos estranhos, com os olhos recolocados para fora. 

LaLaurie nunca foi encontrada pela polícia. Muitos dizem que, após o episódio, fugiu com seu marido para Paris. Mais recentemente, restos mortais datados do século XIX foram encontrados no assoalho da casa.

Atualmente, a residência não pertence mais a Nicolas Cage. Dono de uma dívida exorbitante, o ator está praticamente falido e teve muitas de suas casas embargadas por bancos ao não conseguir pagar as respectivas hipotecas - entre elas a mansão "LaLaurie". 

Cage, como pode se perceber, gastou parte de seu dinheiro com compras para lá de excêntricas, como esqueletos de dinossauros e até uma pirâmide.

sábado, 25 de maio de 2013

O Verdadeiro Shrek

Maurice Tillet

Este é Maurice Tillet, o homem que teria servido como inspiração para o personagem Shrek. Inteligente, falava 14 idiomas e recitava seus próprios poemas.

Com cerca de 20 anos desenvolveu acromegalia, que deformou seu corpo. Buscando uma identidade que se encaixasse em seu novo perfil, Tillet mudou-se para os Estados Unidos, onde lucrou com sua aparência nos ringues de luta livre.

Morreu em 1954, vítima de doença cardíaca, aos 51 anos.

Reza a lenda que, antes de morrer, Tillet concordou em fazer três moldes de seu rosto para um amigo. Um deles foi parar nas mãos da Dreamworks, que o usou como modelo para projetar o personagem do desenho.

O estúdio, no entanto, desmente a história.

Corrida sem fim

Corrida sem fim

Um drama automobilístico obscuro e minimalista, sem trama ou um tema específico. Assim podemos definir "Corrida sem Fim" (Two-Lane Blacktop), considerado um dos melhores exemplares de filme de estrada dos anos setenta.

E na falta de diálogo entre os personagens, que sequer tinham nomes, podemos detectar um tom de crítica à letargia da juventude da época. Afinal, se tratavam de pessoas vazias, que não tinham reivindicações e se limitavam a falar apenas sobre carros e motores.

Em resumo, o filme conta a história do "Motorista" (James Taylor) e do "Mecânico" (Dennis Wilson), que viviam de apostas em corridas se segunda classse. Uma "Garota" (Laurie Bird) que vivia sem rumo se junta a eles em uma viagem pelo meio oeste americano. Um dia, encontram G.T.O. (Warner Oates), um homem num moderno e potente Pontiac GTO, que os desafia para uma disputa de milhares de quilômetros até Washington DC. O prêmio é o carro do perdedor.   

Mas ao longo da jornada as coisas caminham para um envolvimento reflexivo entre os personagens, ao ponto de G.T.O questionar os três mais jovens se ainda estavam correndo, deixando claro que a aposta entre eles já não era mais tão importante.

As peculiaridades dessa produção, no entanto, ficam por conta da adversidade da equipe técnica e do elenco. Antes de ganhar o status de criador mítico, o diretor Monte Hellman, por exemplo, era então considerado um fazedor de filmes baratos. Vale lembrar que foi ele quem descobriu, anos mais tarde, Quentin Tarantino no longa "Cães de Aluguel".


A dupla do Chevy não era formada por atores, mas sim por dois músicos bem sucedidos: James Taylor, que na época já chamava a atenção do mercado fonográfico com seu primeiro álbum, e Dennis Wilson, mais conhecido como um dos fundadores e baterista dos "Beach Boys", do qual foi membro até à sua morte misteriosa por afogamento, em 1983.

Novata, Laurie Bird realizou apenas três filmes antes de enveredar pela carreira de fotógrafa. Cometeu suicídio ainda muito jovem, aos 25 anos, no apartamento do seu namorado, o músico Art Garfunkel. 
Em contraponto ao restante do elenco estava o experiente ator Warner Oates, famoso por seus filmes do gênero faroeste. Morreu aos 53 anos, em 1982, de um ataque cardíaco.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Museu de Cera

O Professor e sua Maria Antonieta

Vale lembrar que a película "Museu de Cera" (House of Wax) foi pioneira dentro dos estúdios Warner a utilizar o recurso do 3D, que era obtido através de um processo rudimentar chamado estereoscopia. Nesta obra de 1953, o ator Vincent Price interpretou o "Professor Henry Jarrod", um sensível escultor que buscava a perfeição de seus bonecos de cera, principalmente de sua "Maria Antonieta".

Os bonecos eram exibidos em um museu que passava por sérias dificuldades financeiras e são destruídos durante um incêndio provocado pelo sócio de Jarrod, que tinha como objetivo receber o dinheiro do seguro. O "Professor" tentou de todas as formas impedí-lo, mas acabou levando a pior numa briga.  

Deformado pelas chamas, o então delicado "Professor" perdeu a fé na humanidade e se tornou uma criatura obcecada pela beleza das formas de seus bonecos, passando a utilizar cadáveres reais por baixo da cera. Durante as noites, saía pelas ruas de Nova York cometendo crimes e assassinatos em busca de modelos para seu novo museu, sempre contando com a ajuda de dois capangas. 

Um deles é o surdo-mudo Igor, vivido por "Charles Bronson" em início de carreira. O outro é interpretado pelo ator "Nedrick Young", que teve seu nome suprimido dos créditos por fazer parte da lista negra do período do "macarthismo". Num elenco de qualidade, vale ressaltar ainda a presença da futura "Mortícia" do seriado "Família Addams", a atriz "Carolyn Jones", figurando como molde para a "Joana D'Arc" do museu. 

Todos sob a competente direção de André De Tooth, que conseguiu transmitir um clima de intenso suspense e terror através dos bonecos de cera. Num momento crucial da trama, Tooth teve de garantir ao ator Paul Picerni que a cena da guilhotina seria realizada em uma única tomada. Afinal, tratava-se de um aparelho verdadeiro, um capricho do então chefão Jack Warner.

Por uma  incrível ironia do destino, o diretor era cego de um olho e não podia ver o efeito do novíssimo recurso de terceira dimensão, que levou milhares de pessoas ao cinema para conferir a novidade.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A morte de Thomas Ince

O Oneida

Propriedade do magnata William Randolph Hearst, o iate de luxo "Oneida" desatracou de Los Angeles rumo a San Diego para um final de semana de festa. Tratava-se da comemoração do aniversário de 42 anos de Thomas Ince, a quem se credita a invenção do sistema de estúdios de Hollywood. 

Várias personalidades do meio cinematográfico estavam à bordo. Entre elas, a amante de Hearst, a atriz Marion Davies, e o mito Charles Chaplin. O convidado de honra, no entanto, sofreu uma intoxicação alimentar após um jantar em sua homenagem e foi levado de volta à sua casa em Los Angeles, onde faleceu em decorrência de um ataque cardíaco.

Depois do funeral, o corpo foi cremado sem a realização de uma autópsia, tornando as circunstâncias que cercavam o fato ainda mais misteriosas. Não demorou e surgiu o boato de que Hearst havia baleado o produtor na cabeça. 

As variáveis desse rumor eram baseadas em uma antiga suspeita de Hearst, de que Marion e Chaplin estariam vivendo um romance. Inseguro, o milionário das comunicações usou o aniversário do cineasta como pretexto para observar as investidas de Chaplin em sua amante.

Numa noite regada a uísque e jazz, o anfitrião teria sacado sua arma depois de flagrar o "casal" em um momento bastante comprometedor. Os gritos de Marion acabaram atraindo Ince, que levou o tiro destinado a Chaplin. Em outra versão, a arma foi disparada acidentalmente, com a bala perfurando uma parede de madeira e atingindo o produtor em seu quarto.

Dias depois do desembarque, o secretário de Chaplin, Toraichi Kono, afirmou ter visto Ince, em terra firme, sendo carregado pelos ombros com um sangramento à bala. A história rapidamente se espalhou por toda  Beverly Hills. 

Muitos acreditavam que Hearst havia usado seu poder e influência para abafar o incidente, pois todos os que estavam presentes no iate se beneficiaram de alguma forma; tiveram hipotecas quitadas, promoções no trabalho, emprego nas empresas de Hearst e etc. 

O escritório da promotoria de San Diego chegou a abrir uma investigação, que não foi muito adiante. Afinal, houve pouca colaboração dos envolvidos. Chaplin, por exemplo, confirmou ter ido visitar Ince antes de sua morte, acompanhado por Hearst e Marion. Além disso, a viúva se mandou para a Europa, logo após a morte do produtor.  

terça-feira, 14 de maio de 2013

Rosebud


O Cidadão Kane (Citizen Kane) sempre desperta algumas dúvidas relevantes a seu respeito. Teria sido realmente o melhor filme da história? O que faz dele tão bom assim? O que diabos seria o tal "Rosebud"? Existiu uma inspiração para a história?

Podemos dizer que a obra escrita, dirigida e interpretada por Orson Welles foi o que realmente ajudou Hollywood a compreender melhor o cinema falado. A tecnologia ainda era recente e os estúdios preferiam se concentrar na elaboração de comédias teatrais e musicais.

Tudo que havia sido aperfeiçoado no cinema mudo e que havia ficado para trás foi resgatado na produção. O enredo ajudou a explorar o expressionismo, os efeitos especiais e as técnicas de aprofundamento de plano. Criou-se uma espécie de telejornal de atualidades, mostrando a trajetória de Kane com uma narração marcante do próprio Welles.

Logicamente, a história colaborou para o sucesso que perdura até os dias de hoje, mostrando a glória e o declínio de um Kane sedento pelo poder. Podemos dizer que o filme foi claramente inspirado na carreira de  William Randolph Hearst, propietário de um verdadeiro império da mídia, que havia acumulado cadeias de jornais, minas de ouro e construído um castelo na Califórnia.

O empresário ficou bastante incomodado com o enredo da película e tentou de todas as formas proibir sua exibição. Mas o que seria considerado a produção mais completa da história do cinema, foi um fracasso de bilheteria. O público não entendia muito o formato e o conteúdo do que era apresentado na tela. A narrativa não era linear, com o magnata morrendo no início do filme, pronunciando a palavra Rosebud. Mas o que seria isso afinal?

O filme passa a ser construído em torno dessa palavra mágica, com um repórter investigativo tentando descobrir seu significado, desenrolando-se um espetáculo da sétima arte.

sábado, 11 de maio de 2013

Em 3D


Mestre inigualável do suspense, Alfred Hitchcock divertiu e gelou as platéias com sustos antológicos em obras clássicas do cinema. Podemos observar ainda que o diretor era bastante crítico em relação aos seus próprios filmes. Dizia, por exemplo, que "Disque M para Matar" (Dial M for Murder) era um de seus trabalhos de que menos gostava.

A história, no entanto, lhe agradava. Tanto que decidiu realizar essa obra cinematográfica ao saber que a Warner Bros havia comprado os direitos da peça escrita por "Frederick Knott". Com a predominância de diálogos de primeira, a origem teatral domina a história. Tudo foi filmado em estúdio, com a capital inglesa projetada no fundo.

Na história, Tony Wendice (Ray Milland) está casado com a linda e doce Margot Mary Wendice (Grace Kelly). Mas quer matá-la para ficar com sua fortuna. Para isso, convence um velho conhecido dos tempos da universidade para praticar o crime. Tudo parecia bem planejado até ser atrapalhado por Mark Halliday (Robert Cummings), no papel de amante, e uma simples chave.

Mas diante de tantos predicados, a curiosidade fica por conta da utilização de uma nova tecnologia, o efeito tridimensional. E para que houvesse a ilusão de profundidade, "Hitch" utilizou duas câmeras acopladas e mandou construir um fosso no estúdio. 

Pelo profissionalismo de Hitchcock, podemos considerar que o filme seja um dos primeiros a levar o efeito 3D a sério, como parte da narrativa. A sensação era a de que o público estava acompanhando uma ação ao vivo, como numa peça teatral.

Na época, ocorreram pouquíssimas sessões do suspense e a tecnologia nunca funcionou de forma efetiva nos equipamentos residenciais. O efeito continuou sendo utilizado em VHS e depois em DVDs com óculos de celofane magenta e ciano.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O primeiro


Realizado pelos irmãos Louis Lumière e Auguste Lumière, "A Chegada de um Trem na Estação" (L'Arrivée d'un train en gare de La Ciotat) é considerado a primeira exibição pública comercial de um filme.

De concepção bastante simples, a película tem duração de 52 segundos e mostra a chegada de um trem à estação.

Apresentado numa saleta nos fundos de um café, no dia 28 de Dezembro de 1895, o filme assustou o público de 33 pessoas. Elas foram surpreendidas pela ilusão cinematográfica e correram para o fundo da sala, acreditando que a locomotiva sairia da tela.

Mostrando alguns passageiros à espera na estação, o plano contava ainda com, entre outros personagens, um carregador avançando em direção à câmera, alguns passageiros descendo de uma carruagem e um homem levando um barril.

Fracasso de Bilheteria: O Leão do Deserto


Com o tempo, o conceito da crítica e do público pode mudar em relação a um grande fracasso de bilheteria. Afinal, certos filmes parecem deslocados do período em que foram lançados. 

É o caso de "O Leão do Deserto" (Lion of the Desert), de 1980, que custou 35 milhões de dólares e faturou apenas 1,5 milhão nos cinemas, mesmo contando com atores do gabarito de Anthony Quinn, Oliver Reed e Rod Steiger.

Com trilha sonora de Maurice Jarre, o filme se passa no calor do deserto e nos conta a história de Omar Mukhtar (Quinn), um grande herói líbio que lutou por sua nação para impedir a invasão italiana durante a Segunda Grande Guerra.

Vale ressaltar que o diretor Moustapha Akkad conseguiu retratar as cenas de batalhas com muita fidelidade, mesmo numa época em que a indústria cinematográfica não usava o recurso gráfico de computadores. Com maestria, soube intercalar imagens de arquivo com cenas bastante realísticas.

Baseada em fatos reais, o filme, que hoje é considerado uma obra-prima épica, foi banido na Itália, acusado de difamar as Forças Armadas do país. 

O Fanfarrão


Muitos acreditavam que o personagem Próximo, de "O Gladiador", devolveria a Oliver Reed os seus melhores dias no cinema. Depois de atuações memoráveis em "Oliver", "Mulheres Apaixonadas", "Os Três Mosqueteiros" e "Tommy - A Ópera Rock", entre os anos 60 e 70, o ator acabou entregue a papéis pouco relevantes.

Talvez, seu comportamento displicente tenha lhe feito cair no ostracismo. De temperamento explosivo, Reed tinha a fama de farrear, de se meter em brigas de rua e ser beberrão. Ele mesmo se definia como "um ator e não um sacerdote". Mas antes que pudesse terminar a obra do diretor Ridley Scott, o fanfarrão morreu aos 61 anos em um bar de La Valetta, na ilha de Malta, após uma tarde de excessos.

Sua perda provocou uma grande crise na produção, já que faltava ainda a realização de cenas importantes para a conclusão do filme. Após descartar a ideia de contratar outro ator, Scott optou por gastar US$ 3 milhões na recriação digital da figura do ator. O rosto de Reed foi digitalizado e inserido no corpo de um dublê, que terminou a película.

Fracasso de bilheteria: O Portal do Paraíso

O Portal do Paraíso

Com um custo de 44 milhões de dólares, o filme "O Portal do Paraíso" (Heaven's Gate) rendeu um faturamento de apenas 93 mil dólares nos Estados Unidos e de 1,5 milhão no resto do mundo, mesmo contando com nomes de peso como o de John Hurt, Isabelle Hupert, uma das musas do cinema francês, Christopher Walken e o diretor Michael Cimino, que havia conquistado o Oscar recentemente com “O Franco Atirador”.

A história girava em torno de um relato fictício do "Massacre de Johnson County", quando centenas de imigrantes europeus foram dizimados pelos poderosos latifundiários de Wyoming no final do século XIX. Com a proposta de revitalizar o gênero western, a película revisitou o episódio através da ótica de James Averill, um homem amargurado que disputa o amor de uma prostituta com um violento pistoleiro a mando dos fazendeiros.

Os problemas tiveram início já no período da pré-da produção. Levado ao extremo perfeccionismo, o diretor achou que as casas cinematográficas ficavam muito próximas e mandou reconstruir o cenário. No mais, pessoas eram demitidas a todo momento e, durante a pós-produção, o filme sofreu várias remontagens, chegando a perder 101 minutos de sua metragem original. Com tantos contratempos e meses de atraso, o custo da produção saltou de 2 milhões de dólares para 44 milhões (quase 200 milhões em valores atuais).

Bastante pressionada por diversos segmentos da sociedade americana e pela crítica especializada, a produtora acaba retirando o filme de cartaz após algumas sessões praticamente vazias. O longa quase levou o lendário estúdio United Artists, fundado em 1919 por um grupo notável que incluía D.W.Griffith, Mary Pickford, Charles Chaplin e, do introdutor do Óscar, Douglas Fairbanks, à falência.

Depois desse episódio, a então proprietária da UA, o grupo de mídia TransAmerica, acabou vendendo a empresa à Metro-Goldwyn-Mayer (MGM). Longe dos tempos áureos, a United Artists viveu os anos seguintes praticamente no ostracismo, sendo apenas uma memória na história de Hollywood. Até o ano de  2004, quando um consórcio formado pela Sony, proprietária da Columbia Pictures e Tristar Pictures, adquiriu todo o grupo e transformou a United Artists numa subsidiária de fundamental importância.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Paul Mantz


O lendário aviador Paul Mantz era o técnico de Amelia Earhart, responsável pelo funcionamento da máquina em que ela realizava suas incríveis façanhas. Desorientado com o desaparecimento dramático da aviadora, foi para Hollywood com o status de proprietário de 30 aeroplanos - na época, a maior esquadrilha particular do mundo.

Qualquer aparelho de qualquer tipo, em céu limpo ou tempestuoso, ficava dócil à sua pericia e à sua coragem. Assim, Paul Mantz se tornava um elemento precioso para os estúdios numa época em que a aviação se tornava parte importante nos filmes.

Quando os diretores desejavam realizar alguma coisa realmente extraordinária, chamavam Mantz. Logo na estreia, ele surpreendeu ao voar em um biplano através de um hangar não muito maior do que a própria aeronave. 

Infelizmente, em 1965, o piloto acrobata encontrou a morte durante a gravação de uma cena para "The Flight of the Phoenix", pilotando o Phoenix Tallmantz P-1, um avião construído especialmente para o filme. 

Ao atingir uma pequena elevação de terreno enquanto sobrevoava o deserto de Yuma, no Arizona, o avião de Mantz se espatifou e matou o piloto imediatamente. Como o filme já estava quase pronto, os cineastas concluíram o trabalho  com outra aeronave.

Fracasso de Bilheteria: A Ilha da Garganta Cortada


Nem mesmo a qualidade do elenco salvou "A Ilha da Garganta Cortada" de se tornar um grande fiasco de bilheteria. Tanto que entrou para a história como o filme de maior prejuízo para uma empresa cinematográfica, levando a produtora Carolco Pictures à falência. O filme arrecadou apenas US$ 11 milhões nas bilheterias americanas, sendo que custou US$ 92 milhões para ser produzido.

Ficou nítida a falta de comando durante a produção do filme. O personagem William Shaw seria interpretado, inicialmente, por Michael Douglas, que desistiu do papel após Geena Davis solicitar uma maior participação de sua personagem na história. No embalo, Keanu Reaves, Liam Neeson, Jeff Bridges, Ralph Fiennes, Charlie Sheen e Michael Keaton também recusaram o papel de protagonista, que acabou com Mattew Modine.

Na época, Geena era casada com o diretor do filme, Renny Harlin, o que talvez explica a mudança no roteiro. Essa situação, porém, prejudicou a carreira da atriz, pois os convites para produções importantes cessaram. Harlim, por sua vez, passou a dirigir filmes de baixo orçamento. Antes de se separarem, o casal participou ainda do longa "Despertar de um Pesadelo".

O corvo


A grande oportunidade de Brandon Lee obter reconhecimento e sair definitivamente da sombra do pai, o ator e mestre em artes marciais Bruce Lee, parecia ter chegado com o personagem Eric Draven, em "O Corvo".  

A notoriedade, porém, veio com a triste repercursão de sua morte durante a produção do filme.  As circunstâncias da tragédia geraram grande repercussão e provocaram inúmeras especulações em torno do que realmente teria acontecido. Investigações subsequentes nunca conseguiram determinar o motivo pelo qual uma bala verdadeira disparou de uma arma que só deveria fazer barulho.

A produção ficou marcada por inúmeros acidentes desde o primeiro dia. Um carpinteiro se queimou gravemente, outro trabalhador cortou a mão com uma chave de fenda  e um dublê caiu do telhado quebrando várias costelas.

Durante a fatídica cena, a arma foi carregada com cartuchos de verdade, sem pólvora, para imagens em close. Tudo para dar mais realidade à cena, pois a câmera poderia registrar as bala no cilindro da pistola.

Após a conclusão da cena, um assistente de produção, que deveria limpar a arma, derrubou um dos cartuchos no cano. A arma foi carregada com festim, que normalmente tem duas ou três vezes mais pólvora do que um projétil normal, e involuntariamente disparou em Lee.

A bala causou perfurações em seus órgãos internos e partiu sua coluna vertebral, causando uma forte hemorragia interna. Mesmo com a tentativa desesperada de uma cirurgia de seis horas para retirar os fragmentos do projétil, Lee acabou não resistindo e faleceu.

Dedicação e tragédia


Alguns atores já se dedicaram tanto à sétima arte que deixaram o mistério sobre sua história ou um fim trágico registrados em filmes. Um desses momentos aconteceu durante as filmagens de "No Limite da Realidade", uma homenagem de Steven Spielberg à série de suspense "Além da Imaginação", que fez muito sucesso na televisão entre 1959 e 1964.

Durante uma cena, o consagrado ator Vic Morrow, interpretando um militar em uma cena de guerra, deveria resgatar duas crianças e levá-las até um helicóptero. Tudo ia bem até o momento da pirotecnia, que cortou a cauda do aparelho. Na queda, a hélice decapitou o ator e uma das crianças, Myca Dinh Le de 7 anos. A outra, Renee Shin-Yi Chen de 6 anos, morreu esmagada.

As filmagens, então, foram suspensas. O diretor John Landis e Spielberg foram processados. Houve ainda mudança nas leis trabalhistas para atores mirins. De qualquer forma, o filme foi lançado sem a fatídica cena que mais lembrava um filme de terror.

No início de sua carreira, Morrow revelou que tinha o pressentimento de que iria morrer em um acidente de helicóptero. A revelação aconteceu diante da equipe de produção do filme "Dirty Mary Crazy Larry", no qual tinha cenas de um helicóptero feitas em estúdio.

terça-feira, 7 de maio de 2013

A Zona

Vencedor do prêmio especial do Júri do Festival de cinema de Cannes de 1980, o filme de ficção-científica Stalker foi adaptado de um livro bastante popular no bloco oriental europeu e ambientado na então ex-União Soviética.

Com o claro objetivo de mostrar o pesadelo de uma terra devastada, o longa contava a história de um ex-presidiário chamado "Stalker", que servia de escolta para dois clientes, o "Escritor" e o "Cientista", rumo a um local  isolado por forças militares conhecida como a "Zona".

Havia a suspeita da presença de alienígenas no local em razão da ocorrência de fenômenos inexplicáveis. Segundo o Stalker, no interior da "Zona" havia uma sala capaz de atender os desejos mais íntimos de qualquer pessoa.

Não existia qualquer indicação de que a ação ocorria na URSS. No entanto, os atores são essencialmente russos, assim como os diálogos. Sem contar a silhueta sombria de uma antiga instalação nuclear envenenando o rio e a vegetação. O estilo de filmagem lembra em muito o clássico "Mágico de Oz": uma "Zona" colorida, com sua vegetação verde, em meio a um ambiente bastante sombrio, monocrômico e granulado.  

A curiosidade fica por conta do trágico destino de algumas pessoas que participaram do filme. O diretor do filme, Andrei Tarkovsky, os 3 atores principais, Anatoliy Solonitsyn, Aleksandr Kaydanovskiy e Nikolay Grinko, e outras pessoas da produção morreram por tumores provavelmente provocados por exposição ao material radioativo do local de gravação.

A morte do Alfafa



Foram cinco anos atuando na comédia "Os Batutinhas" (Our Gang) sem receber um único centavo. Além desse enorme prejuízo financeiro, o ator Carl Switzer ficou estigmatizado como o eterno "Alfafa" da série, o que lhe atrapalhou no momento de alçar novos ares.


Cada vez mais longe dos holofotes e vivendo de "bicos", viu sua vida pessoal entrar em colapso a partir da década de 1950, quando teve um casamento desfeito e inúmeros problemas com a justiça. Chegou a ser preso por derrubar uma árvore e baleado num bar por um assaltante desconhecido.

As finanças só começaram a melhorar quando iniciou uma rudimentar criação de cães de caça para o trabalho de guia turístico. Conseguiu alguns clientes importantes em Hollywood, que poderiam servir de ponte para um eventual retorno ao cinema. 

Porém, sua vida sofreu um revés após emprestar um cão para Moses "Bud" Stiltz. O animal fugiu durante uma expedição e Switzer só conseguiu recuperá-lo mediante o pagamento de uma recompensa de 50 dólares.  

Após uma noite de bebedeira, o ator concluiu que deveria ser ressarcido pelo prejuízo e foi cobrar a dívida de Stiltz acompanhado de um amigo. Era o prenúncio de uma tragédia anunciada.

Na casa de Stiltz, os dois discutiram de forma acalorada e partiram logo para as vias de fato. A situação ficou ainda mais tensa quando o Switzer tirou uma faca do bolso em tom de ameaça. Transtornado e armado com um revolver calibre 38, Stiltz atirou em Switzer na virilha. Sofrendo de uma intensa hemorragia, o ator não resistiu e foi declarado morto na chegada ao hospital. 

Sua passagem teve pouquíssima cobertura dos meios de comunicação. As manchetes do dia foram monopolizadas pelo falecimento do aclamado diretor Cecil B. DeMille, que sofreu um ataque cardíaco durante as filmagens de "Os Dez Mandamentos". As condições do incidente são controversas até hoje. A conclusão da policia foi de que Stiltz agiu em legítima defesa.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A história por trás do mito


Filho de imigrantes, John Zachary De Lorean ainda trabalhava como operário na Ford quando se formou engenheiro mecânico. Assim, se credenciou para assumir a chefia do departamento de pesquisas e desenvolvimentos da Packard, onde permaneceu por 27 anos.

Posteriormente procurou novos horizontes profissionais na GM, onde assumiu a diretoria de engenharia da Pontiac, uma divisão considerada deficitária. Com ambição e criatividade, no entanto, consegue tirar a empresa do buraco. Uma de suas criações, o legendário GTO, lançado em 1963, vendeu mais de 30.000 unidades em apenas 11 meses.

Levado pelo sucesso, em 1969, assume a gerência geral da Chevrolet, que não passava por um bom momento. Com um trabalho desenvolvido junto aos revendedores e projetistas, criou o Vega, para combater o Ford Pinto e o Gremlin, da American Motors. O carro não fez o sucesso esperado, mas abriu as portas de um novo segmento para a GM.

Com a incrível marca de 3 milhões de unidades vendidas, em 1971, foi indicado para o cargo de diretor de operações da GM nos Estados Unidos. Segundo prognósticos da mídia especializada, chegaria a presidente da companhia em dois anos, com a aposentadoria de Edmund Cole.

Nesse período, apresenta o DMC-12 para a diretoria da GM, que recusa a ideia. Vaidoso, renuncia ao cargo, deixando para trás um salário de 650.000 dólares anuais para investir no próprio projeto. Em 1975 consegue todo o dinheiro necessário para colocar a ideia em prática. Centenas de revendedores se comprometeram em revender o carro, pagando antecipadamente por eles. Inclusive, três sheiks árabes encomendam uma série especial do carro, com a parte externa banhada a ouro.

Depois de um acordo com o governo britânico, instalou sua fábrica na Irlanda do Norte. O primeiro De Lorean deixou a linha de produção em 1981, desenhado por Giorgeto Giugiaro e desenvolvido por Colin Chapman, o mago da Lotus.

O chassi, construído em fibra de vidro e espuma de uretano saturado de resina, era envolvido por uma carroceria de aço inoxidável. As portas, no formato “asas de gaivota”, davam um ar futurista ao carro. Internamente, o De Lorean contava com bancos de couro, instrumentação completa e amplo espaço para duas pessoas. Debaixo do capô, um V6 híbrido de 145 cv dotado de injeção eletrônica.

Com tantos predicados, o preço do carro extrapolou, tornando-se mais caro que seus concorrentes diretos. O governo britânico havia gastado 156 milhões de dólares no projeto, e o executivo pedia mais dinheiro.

Londres recusou e  no começo de 1982  a empresa entrou em processo de concordata. O empresário, desesperado, tenta reverter a situação, dispondo-se a financiar um carregamento de quase 200 quilos de cocaína, que lhe renderiam pelo menos 50 milhões de dólares.

O sonho de John De Lorean foi enterrado quando o FBI encontrou a droga dentro de seus carros no porto de Miami. O governo britânico fechou a fábrica, ao passo que agentes federais leram a De Lorean os seus direitos constitucionais. De um apartamento do Sheraton Plaza, levavam-no para a Casa de Vidro, uma prisão de Los Angeles.

Foi liberado horas depois, por falta de provas. Infelizmente, De Lorean acabou por sujar o nome dos seus sócios, entre eles Colin Chapman. O famoso construtor inglês torna-se alvo de investigações da policia inglesa, suspeito de apropriar-se de parte do dinheiro. Ainda naquele ano, morre subitamente, vítima de um ataque cardíaco.

Sua morte é cercada de grande mistério, já que não houve velório. Muitos suspeitam de que tudo foi armado para que Chapman fugisse para o Brasil. Tempos depois, a prisão de seus sucessores na Lotus é decretada pela justiça inglesa. O carro participou do filme “De Volta Para o Futuro”, de Steven Spielberg, ganhando definitivamente o “status” de mito.

De Lorean morreu em 2005, em razão de complicações decorridas de um ataque cardíaco.

Um sonho destruído


Considerado o carro dos sonhos dos estadunidenses no período “pós-guerra”, o Tucker Torpedo ficou famoso por incorporar uma série de inovações como: motor traseiro adaptado de um helicóptero, baixo centro de gravidade, interior acolchoado (para prevenir ferimentos em caso de acidente) e um farol central, sincronizado ao volante. Em caso de problema técnico, o motor era trocado em espantosos 15 minutos.

O projeto nasceu com o fim da Segunda Guerra Mundial, quando o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, vetou a venda das grandes fábricas bélicas para GM, Ford e Chrysler. O político queria que essas instalações fossem adquiridas por novos empreendedores, evitando assim a formação de monopólio na indústria automobilística.

Em razão disso, Preston Tucker candidatou-se à compra de uma fábrica de aviões em Cícero, Illinois. A fábrica, que havia sido construída pela Chrysler, estava a disposição de eventuais compradores – exceto pela própria montadora.

A estrutura seria dele, desde que levantasse US$ 15 milhões até março de 1947. O restante da dívida seria pago em prestações de US$ 250 mil ao governo dos Estados Unidos. Rapidamente, Tucker passou a levantar o dinheiro com a venda de franquias de futuras revendas e ações da empresa na Bolsa de Valores.

Entretanto, três homens poderosos passaram a trabalhar contra o sonho de Tucker: – o promotor de justiça de Illinois, Otto Kerner Jr, o colunista Drew Pearson, que passou a “bombardear” Tucker em seus artigos, e o politico Homer Fergunson, cujo genro dirigia uma das divisões da Chrysler.

Depois de uma investigação realizada por Thomas B. Hart, chefe da Comissão de Caução e Valores de Chicago, concluir que o artifício utilizadoera ilegal, o escritório de Tucker foi vasculhado pelo Imposto de Renda. Em 1948, todas as informações recolhidas, que deveriam ser sigilosas, vazaram para a imprensa na coluna de Dreaw Pearson. Nesse dia, as ações da empresa caíram de cinco para dois dólares.

Fumante inveterado, Tucker estava bastante debilitado em função de um câncer. Em sua última viagem ao Brasil, nada de negócios. Desenganado pelos médicos, buscava a cura através de formulas naturais. Infelizmente, o tratamento não funcionou e, em 1956, Tucker morreu e o projeto do carro brasileiro foi arquivado.

Sua história, porém, nunca será esquecida. Inclusive, no final dos anos oitenta, Francis Ford Coppola transformou sua vida em um longa metragem , chamado “Tucker, um homem e seu sonho”. Segundo colecionadores, apenas 50 exemplares foram produzidos. Desses, apenas dois estão fora dos Estados Unidos. Um está no Japão e o outro, curiosamente, encontra-se na cidade de Caçapava, no Brasil.

domingo, 5 de maio de 2013

Louise Brooks




Os anos de 1920 ferviam em jazz e a vida noturna se tornava cada vez mais emocionante para ambos os sexos. Nesse período, a mulher passa a buscar um novo papel na sociedade, se emancipando cada vez mais em ideias, estilos de vida, filosofias e modos de vestir. Na vanguarda desse processo, a atriz Louise Brooks surge como símbolo de uma era de mais liberdade.
 
E hoje, podemos confirmá-la como uma das personagens mais fascinantes de todos os tempos, com seu visual de cabelo curto e franja caindo sob os olhos. Um inegável talento dramático que ficou historicamente ofuscado pelo magnetismo de sua figura. Com doses iguais de inocência e sensualidade, passou a provocar um efeito quase que hipnótico sobre as pessoas.

Desprezava Hollywood, assim como os principais estúdios cinema. Chegou a abandonar a produção de um filme simplesmente para ficar com um amante. Teve casos amplamente divulgados na imprensa com Charles Chaplin e o produtor Walter Wanger. Ela própria admitiu ter passado uma tórrida noite de amor com Greta Garbo, enfatizando: “Ela era completamente masculina, o que torna seus filmes ainda mais maravilhosos”.

Essa combinação explosiva de coragem e intenso apelo sexual ficou explícita na composição do cartaz do filme “ Vênus Americana”, quando a atriz não se intimidou em ficar nua da cintura pra cima, com apenas duas faixas estreitas cobrindo os seios.

Desenvolveu seu maior papel no cinema como a bailarina Lulu em "A Caixa de Pandora", de G.W. Pabst. Considerado o canto do cisne do cinema mudo alemão, o filme mostra o poder destruidor de sua sedutora personagem, conduzindo impassivelmente os homens que dela se aproximam à morte. Contendo cenas de lesbianismo e sadismo sexual, a produção continha tudo o que a censura do Terceiro Reich viria a proibir.

Impossível protagonista mais identificada para um papel, em um personagem projetado inicialmente para a alemã "Marlene Dietrich". Assim como na mitologia grega, Brooks parecia ter descido à terra portando uma caixa contendo todas as desordens do mundo. Representava basicamente a incarnação contemporânea da "Pandora" original.

Tantos atributos, porém, culminaram numa vida de autodestruição. Aos 24 anos, sua carreira caiu em desgraça após esnobar um convite da poderosa "Paramount". Se envolveu ainda em algumas produções europeias, que fracassaram no mercado norte-americano. 

Depois de deixar a carreira de atriz, foi trabalhar como vendedora de loja. Viveu o resto de sua vida com ajuda de custo mensal de um antigo relacionamento da juventude. Escrevia e pintava para passar o tempo, e ocasionalmente dava palestras. 

Em seus últimos anos, sofria de artrite deformante e viveu de forma reclusa. Faleceu no dia 8 de agosto de 1985, aos 87 anos de idade. Deixou como legado a magia de sua imagem em sépia, que provoca ainda nos dia de hoje o fascínio nas pessoas, sem que elas saibam, muitas vezes, de quem se trata.  

sexta-feira, 3 de maio de 2013

C'était un rendez-vous

"mercedes_not_ferrari.jpg", diz o nome do arquivo.

Recentemente, o clip "Open your eyes" da banda "Snow Patrol" podia ser assistido com alguma frequência na MTV. O vídeo nada mais era uma reprodução do curta metragem "C'etait un rendezvous".

Produzido em 1976, "C'était un rendez-vous" é, na verdade, uma realização "bastante simples". O diretor Claude Lelouch coloca uma câmera no pára-choque de uma Ferrari 275 GTB e chama um amigo, piloto de Formula-1, para dirigir feito louco em Paris, a 225km/h.

No trajeto, o carro passa por locais famosos de Paris, furando os sinais e passando à toda pelos inocentes pedestres. Nem mesmo os pombos escapam. Lembrando que nenhuma rua foi fechada para a filmagem, já que a prefeitura negou autorização. Fizeram o filme na marra, com o piloto percorrendo o trajeto em nove minutos.

Por isso, logo depois do lançamento, Claude Lelouch foi detido e negou a verdadeira identidade do piloto. Posteriormente, a polícia parisiense chegou aos nomes de Jacques Laffite, Jacky Ickx, Jean-Pierre Beltoise, Jean Ragnotti, Johnny Servoz-Gavin e Ronie Peterson. Todos prestaram depoimento, inclusive.

Inúmeras discussões surgiram em torno do filme. Alguns fanáticos tentaram calcular a velocidade e, através do ronco, descobrir o modelo utilizado na gravação. Alguns acreditavam que o próprio Lelouch conduziu o carro, que seria, na verdade, uma Mercedes 450 SEL 6.9.

Como prova, a foto que ilustra esse post, divulgada na internet há algum tempo.

Cinema e Velocidade


Considerado um dos maiores atores de todos os tempos, o estadunidense Steve Mcqueen resolveu se inscrever para as 12 horas de Sebring, de 1970, com um Porsche 908. Correu em dupla com um piloto profissional, o seu compatriota Peter Revson, sem grandes pretensões

Afinal, haviam muitas equipes oficiais de fábricas e o ator havia quebrado o tornozelo, alguns dias antes, em um acidente de moto. Mcqueen e Revson, no entanto, não se abateram. Com uma estratégia cautelosa, foram superando a concorrência, pouco a pouco, até chegarem ao primeiro posto.

Foram ultrapassados no final da prova pela Ferrari de Mario Andretti, em uma das chegadas mais emocionantes e apertadas da história. Após aquela corrida, o valor do seguro de vida de Mcqueen aumentou de forma exorbitante, impedindo sua participação em outras corridas e na filmagem do longa "Le-Mans".

O filme, inclusive, contou com a participação do mesmo Porsche da corrida de Sebring, agora inscrito com a finalidade de capturar as imagens das 24 Horas de Le-Mans. Produzido pelo próprio Mcqueen, a película contou com a ajuda de diversos pilotos profissionais da época e com cenas reais da corrida.

A morte da Dália Negra


Numa manhã de 1947, um garoto e sua mãe encontram os vestígios de um dos crimes mais horrendos já ocorridos nos Estados Unidos. Abandonado em um terreno baldio de Los Angeles, jazia um corpo dividido ao meio, com diversas mutilações e com todo o sangue drenado.

A imprensa chegou antes da perícia e ficou livre para produzir algumas das fotos que chocaram a opinião pública de todo o mundo. Curiosamente, o corpo foi encontrado com uma separação entre uma parte e outra, com os braços colocados acima da cabeça indicando uma pose artística. Um sorriso macabro havia sido desenhado no rosto, com um corte de orelha a orelha na altura da boca. 

O Departamento de Polícia nunca conseguiu solucionar o caso e ainda precisou da ajuda da imprensa, inicialmente, para descobrir a identidade da vítima. Tratava-se de "Elizabeth Short", que ficou conhecida no subúrbio de Los Angeles pelo apelido de "Dália Negra".  Na época, o fato teve enorme repercussão, com o aparecimento de cartas anônimas, namorados misteriosos e de pessoas reivindicando a autoria do crime em busca de fama.

Como centenas de outras jovens, Short decidiu tentar o estrelato após o falecimento de seu noivo em um acidente durante a Guerra. Porém, acabou se tornando prostituta e atriz de filmes pornográficos. Passou a pintar o cabelo castanho de negro e a se vestir com roupas colantes pretas. Daí o apelido "Dália Negra".

Ao que se comentava na época, teve inúmeros casos com pessoas importantes da indústria  cinematográfica e apreciava trabalhos sadomasoquistas. O sonho de obter a fama ostentando um nome artístico, no entanto, seria realizado apenas após sua morte sádica, na forma de livros, filmes e games. 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O Porsche que matou James Dean



Fanático por velocidade, o ator James Dean aceitou participar de uma corrida na cidade de Salina (Estados Unidos), onde estrearia seu novíssimo Porsche 550 "Little Bastard". Resolveu ir dirigindo ao evento, para compreender melhor o comportamento do bólido. Ao seu lado, no banco do carona, estava o mecânico Rolf Wuetherich.

Depois de uma hora de viagem, em um cruzamento, Dean avistou um Ford Tudor vindo na contramão e pouco pode fazer. Foi tudo muito rápido e os dois acabaram batendo. 
Por ironia do destino, o motorista do outro carro, Donald Turnupseed, nada sofreu. Rolf ficou ferido, enquanto que Dean não resistiu e faleceu a caminho do hospital. Seu funeral teve enorme repercussão e o mito do rebelde sem causa entrou para a história.

Sua figura personificava a solidão, a inquietude e a angústia de uma juventude cada vez mais deslocada num mundo pós-Segunda Guerra. O acidente se deu em um excelente momento da carreira de James Dean, cujo primeiro filme, "Vidas Amargas", havia estreado com casa cheia em todo o mundo. A consagração viria poucos dias depois com a chegada de Juventude Transviada aos cinemas.

Enquanto a seguradora dava andamento ao burocrático processo de leiloar o Porsche sinistrado, uma sequência de acontecimentos estranhos se desencadeou. As primeiras vítimas foram os motoristas dos reboques, que tiveram membros seccionados ou morreram ao manusear o carroMuitos passaram a acreditar que o carro carregava uma espécie de maldição. As pessoas que compraram peças do "Little Bastard" passaram a se acidentar de forma misteriosa. Freios falhavam, rodas quebravam.

Até mesmo a carcaça, exibida como exemplo de imprudência no trânsito, caiu de uma estrutura e feriu gravemente um adolescente. O Porsche ainda se salvou de um incêndio, ao contrário de outros carros estacionados no mesmo local. Até que desapareceu durante o transporte para uma feira em Miami. Foi motivo de longa investigação pela policia, que não conseguiu determinar seu paradeiro.

A única peça que restou comprovadamente e certificada pela própria marca alemã é o eixo de transmissão traseiro.